O mundo entra-nos pelos olhos, ouvidos e muitos outros sentidos dentro. Contudo, é preciso fazer, hoje mais do que nunca, uma triagem de conteúdos.
Comentar esse mundo que nos assalta os sentidos e que é tantas vezes mediado pela mentira e pela desinformação é a motivação deste blog.
Benvindos os que por aqui passarem.



quarta-feira, 27 de março de 2013

É bem triste


É bem triste

 

É bem triste o espectáculo da morte

Esquálido, transido, frígido e inerte,

 A quem é dado a ver o seu futuro sem fuga.

É bem triste o espectáculo da morte

Gélido, parado, pálido e consorte

nossa a desposar sem opção nem sorte.

 

25mar13

segunda-feira, 18 de março de 2013

Papagaios de serviço e outros organismos

Porque é que os papagaios de serviço - os comentadores políticos das tv's - dizem basicamente todos o mesmo?
-uma razão é o facto de serem papagaios e reproduzirem aquilo que os seus patrões e mandantes - as classes dominantes - querem que eles digam, mesmo sem lhes darem ordens directas;
-outra razão é a de, simplesmente, se eles não dissessem aquilo que dizem perdiam o emprego.
Penso que foi Gramscki que cunhou os espécimes deste tipo, no tempo dele, com o nome de intelectuais orgânicos. Se ele fosse vivo ao ver estes papagaios talvez dissesse que lá "orgânicos" eram; intelectuais é que nem pensar...

domingo, 17 de março de 2013

Contra-tendências da queda da taxa de lucro

Há uns postes atrás escrevi sobre a lei da queda tendencial da taxa de lucro. Esta lei é tendencial e não absoluta nem mecânica. Os capitalistas usam conscientemente medidas contratendências para contrariar a realidade desta lei económica.
Remeto-vos para um texto magnifico de um comunista brasileiro que desenvolve esta questão. A partir da citação seguinte aconselho-vos vivamente a leitura do texto completo.
"As chamadas contratendências [6] seriam todas as ações empreendidas pelo capital no sentido de se contrapor à queda na taxa de lucro. Podemos resumi-las da seguinte maneira: a) aumento do grau de exploração da classe trabalhadora, seja pelo aumento da jornada de trabalho, seja pela intensificação do trabalho; b) redução dos salários; c) redução dos preços dos elementos do capital constante, tais como buscar matérias-primas mais baratas, máquinas mais eficientes, subsídios para insumos e serviços essenciais como aço, mineração, energia, armazenamento, transporte e outros; d) formação de uma superpopulação relativa, ou seja, reunir um contingente de força de trabalho muito além das necessidades do capital e mesmo além do exército industrial de reserva como forma de pressionar o valor da força de trabalho para baixo; e) ampliação e abertura de mercado externo como forma não apenas de desovar o excedente produzido, como de encontrar fontes de matéria prima e recursos abundantes, barateando seus custos; d) o aumento do capital em ações, isto é, buscando compensar a queda na taxa de lucro com juros oferecidos pelo mercado de papéis oferecidos por empresas ou por títulos do Estado.
Notem que todas as contratendências escondem um sujeito oculto. Trata-se, já no final de O Capital, de mais um embate, este decisivo, contra a ideologia liberal. Quem administra os limites da exploração do trabalho, seja pelo tamanho da jornada, seja pelas condições gerais da contratação? Quem determina os limites legais da compra da força de trabalho e seu valor? Quem pode baratear os elementos do capital constante por meio de subsídios, créditos facilitados, isenções e outros meios conhecidos? Quem assume o custo de administração, manutenção e controle sobre uma superpopulação relativa cujo papel é nunca entrar no mercado e trabalho? Quem representa os interesses das corporações monopólicas na ampliação, conquista e manutenção de mercados em disputa com outros monopólios? Finalmente, quem se presta ao papel de oferecer títulos que remuneram com taxas de juros generosas sem se preocupar em perder dinheiro ou comprar de volta títulos podres e sem valor?
Esse sujeito, que mal se oculta, só pode ser o Estado! Eis que se desmorona a mãe de todos os mitos liberais: o Estado não deve intervir na livre concorrência entre os indivíduos pela disputa de riquezas e propriedades, resumido na tese da não intervenção estatal na economia. Para Marx, o Estado sempre foi um fator determinante no sociometabolismo do capital, em seu nascimento na acumulação primitiva de capitais, na garantia das condições gerais chamadas de extraeconômicas (garantia da propriedade, subordinação legal e institucional da força de trabalho ao capital, defesa da ordem, etc.) no período de ouro do liberalismo, na representação dos monopólios na partilha e repartilha do mundo, fazendo dos interesses das corporações o interesse nacional; e, por fim e mais importante, nos momentos de crise em que o custo da exuberância irracional, que levou à apropriação indecente da riqueza socialmente produzida na forma de acumulação privada, tem que ser socializado por toda a Nação." Acesso ao texto completo.

sábado, 16 de março de 2013

Conflito de interesses ou corrupção de estado?

Duas notícias de hoje mostram, para quem sabe ler, uma das características principais da "governança" dos nossos dias: nomearam Autoridade para a Concorrência um indivíduo que é sócio de um escritório de advogados e cuja nomeação suscita evidentemente polémica; noutra "nova" a ministra Cristas da Agricultura, que é também a ministra da lei já conhecida como lei dos despejos, nomeou para o seu ministério colegas da faculdade.
Se nos EUA ( nos outros países capitalistas) é descaradamente assim, isto é, os ministros de lá (Secretários de Estado como são chamados) são provenientes do mundo dos altos negócios e após a sua passagem pela "governança" regressam aos negócios, e em que os negócios sobre os quais governam são muitas vezes os negócios sobre os quais negoceiam fora do governo. Cá só estamos a imitar estas "boas práticas" que na melhor das hipóteses se constituem como conflitos de interesses evidentes mas não são mais, em bom português, do que corrupção, e de estado. 

domingo, 10 de março de 2013

Sobre a verdade. De Bertolt Brecht


“Quem, hoje em dia, quiser combater a mentira e a ignorância e escrever a verdade tem de vencer, pelo menos, cinco obstáculos. Tem de ter coragem de escrever a verdade, muito embora, por toda a parte, esta seja reprimida; tem de ter a argúcia de a reconhecer, muito embora, por toda a parte, ela seja encoberta; tem de ter a arte de a tornar manejável como uma arma; tem de ter capacidade de ajuizar, para selecionar aqueles em cujas mãos ela será eficaz; tem de ter o engenho de a difundir entre estes.”
Bertolt Brecht

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Baixa tendencial da taxa de lucro

Nos últimos anos, aproveitando o pretexto da crise, a direita de facto ou assumida no poder tem lançado uma ofensiva imensa contra o trabalho. Os cortes nos salários, tanto os cortes diretos e nominais como os indiretos (através do encarecimento dos preços dos bens essenciais) fazem parte desta ofensiva a favor do capital.
As mais recentes noticias que mostram contratações de enfermeiros a 3,96 euros à hora e as contratações de médicos a 600 euros por mês através de empresas de contratação temporária são ilustrações dessa ofensiva de exploração a todo o gâs da força de trabalho.
Marx elaborou a teoria da baixa tendencial da taxa de lucro, segundo a qual, devido ao aumento da proporção de capital constante ao longo da história do capitalismo, a tendência era para a taxa de lucro baixar. Esta lei é tendencial e depende de muitos fatores. Atualmente, os capitalistas e os seus lacaios nos governos estão a tentar inverter temporareamente esta tendência, como já o fizeram várias vezes no passado. É normal. Estão a fazer o "trabalho" deles.
E nós, trabalhadores, o que nos cabe fazer? Assistir passivamente a este rolo compressor ou lutar para o inverter?

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Uma questão pertinente

Será que merece acabar o seu mandato em dignidade quem, com a sua assinatura, tem contribuido para a promulgação de diplomas claramente inconstitucionais e que põem em causa a dignidade de vida de milhões de portugueses?

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Henri Wallon

Seabra-Dinis, num prefácio ao livro "Do acto ao pensamento", considerava Henri Wallon o maior expoente da psicologia científica do século XX. Do que conheço, só Vigotsky se aproxima.
Com os livros de Wallon aprendi imenso, num esforço consumidor de muito tempo mas que nunca dei por perdido. Os livros de Wallon não são fáceis de ler. A sua profundidade é muito grande pois não faz a menor concessão à facilidade: se a realidade de que fala, - a evolução psicológica das crianças e o entrelaçamento dos factores de que ela é feita - é complexa, complexa é também a descrição e explicação que ele dá dela, as teorias que apresenta.
Por outro lado a sua formação filosófica e biológica, ele que foi doutor em filosofia e medicina, faz com que nos seus livros apareçam muitos conceitos que, para serem bem apreendidos, requerem um trabalho concomitante do leitor, remetendo-o para uma formação de base nos fundamentos dessas disciplinas. Eu fiz esse percurso autodidaticamente e não me arrependo.
Hoje apresento talvez os seus dois livros mais profundos e ambiciosos de Wallon: "Do acto ao pensamento", já citado anteriormente e "As origens do pensamento na criança". Vou relê-los mais uma vez e sei que sairei dessa releitura mais sabedor.
É algo que sinto como necessário para retirar a espuma cinzenta que se acumula nos dias que atravessamos.


"Só há liberdade a sério quando houver..."

O futebol lavará mais branco? Episódio segundo.

Está bem que o homem tem um nome duma coisa que os jogadores de futebol pisam quase todos os dias. Mas daí até pensar que o futebol branqueia tudo, vai uma distância muito longa.
Noutro dia foi assistir, in loco, ao jogo. Hoje vai receber os jogadores, em sala particular do aeroporto. (Bem visto, pois nas salas particulares com acesso privado é mais difícil haver gente a vaiar. O truque pode servir para o presidente Cavaco nas suas próximas saídas púbicas).
Este Miguel é indivíduo bem matreiro e está bem calçado no governo. Outros, por bem menos que ele já tinham ido de vela. Mas estamos em Portugal e personagens como estes, na verdade, são aos montes.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Então, para quê políticos?

Desde o início da década de 80, salvo erro, e pelas palavras de Margaret Thatcher foi cunhada uma expressão em inglês, TINA, cujo significado em português se traduz como: Não Há Alternativa (There Is No alternative).
Quem não é parvo e está bem informado, desde logo se apercebeu do expediente falacioso de matar qualquer tentativa de debate através de uma afirmação que taxativamente diz que nem sequer é possível debate nenhum.
Sendo assim, existiria apenas o "pensamento único" como logo alguém lhe chamou, (penso que foi o Ignácio Ramonet, no Le monde Diplomatique). Então alguém teria descoberto a única forma de actuar na política. E a política ter-se-ia evaporado em ciência ou técnica.
Se esta treta fosse verdadeira perguntar-se-ia: então para quê os políticos? Técnicos ou tecnocratas que aplicassem a solução única não seriam o bastante?
Para quê eleições? Para quê democracia?
Pois. Por vezes bastam algumas perguntas para desmontar algumas falácias repetidamente inculcadas pela maioria da comunicação social que, diga-se com todas as letras, é dominada pelos donos do poder económico com tradução no poder político.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Que força é essa?

Esta gente não tem um pingo de vergonha na cara

Ao ler notícias como estas, próprias dum enganador encartado, fico enojado. A política nas mãos de certos indivíduos desce a um grau bem negativo. Mas não pensem que confundo toda a política com aquilo que este senhor faz.
Líder do CDS assume que carga fiscal "atingiu o limite" e reafirma reforma fiscal na segunda metade do mandato."

domingo, 24 de junho de 2012

Que raio de democracia é esta?

Como chamarmos a um regime de um país que prende cidadãos seus e de outros países soberanos e os mantém sem culpa formada por anos e anos, que os tortura, que os mata, que invade países e que chacina os seus habitantes, que depõe presidentes através de golpes armados e financiados por ele?
Democracia não é de certeza? No entanto eles e os outros que são seus aliados enchem a boca de democracia.
Para denunciar esse regime e ao mesmo tempo rir um pouco, deixo-vos com a sugestão de leitura de uma entrevista feita por Julian Assange a Correia, Presidente do Equador, o qual é dono de um sentido de humor bem apurado.

Cavaco é vaiado em Guimarães pela promulgação do código da exploração do trabalho.

O presidente Cavaco que jurou respeitar a Constituição da Republica Portuguesa" rasgou-a ao promulgar esta lei, como já o fez em relação a outras. Demonstra assim a sua verdadeira natureza de instrumento ao serviço dos capitalistas portugueses, apostados em explorar cada vez mais os trabalhadores.
"Entre as alterações estão o corte de quatro feriados, o regime do trabalhador estudante e ainda as regras de remuneração do trabalho extraordinário, que é reduzida a metade.
Os funcionários públicos vão ter regras laborais semelhantes às dos trabalhadores do sector privado, definidas pelo Código de Trabalho. O diploma que equipara a legislação laboral dos dois regimes foi aprovado, esta quinta-feira, em conselho de ministros.
As indemnizações pelo fim de contratos a prazo também baixam e as rescisões amigáveis na administração pública foram regulamentadas pela primeira vez: 20 dias por cada ano de trabalho, com um montante máximo de 48,5 mil euros.
A nova lei também define as regras da mobilidade geográfica: assistentes operacionais e técnicos administrativos podem ser colocados até 30 quilómetros de casa, mas os técnicos superiores podem ser deslocados até 60 quilómetros e sem o seu acordo.
É ainda criado um novo regime de mobilidade interna, temporária, que permite aos serviços desconcentrados enviar funcionários para qualquer ponto do país até um ano, mas neste caso, com ajudas de custo a 100%. Uma modalidade que, segundo o Governo, pode ser muito útil para os serviços do fisco, segurança social e emprego.!
Notícia de ana Carvalho 

sexta-feira, 22 de junho de 2012

"Os donos de Portugal"

Recomendo a visão deste documentário onde se mostra quem são os donos de Portugal.  Nele é apresentada a forma como ao longo da história se foram formando os grandes grupos económicos e a sua relação promíscua com o poder político: na 1.ª republica, na republica fascista, no pós 25 de Abril, na "normalização capitalista" e nesta coisa execrável que existe hoje.
É bastante instrutivo vermos como se foram formando as elites económicas, à sombra das benesses do poder político. 
E é também instrutivo vermos os rostos dos papagaios que defendem o poder dos grandes grupos económicos, lacaios bem pagos, e que sairam em grande parte dos (des)governos que temos tido. Os que beneficiaram empresas privadas ou fomentaram privatizações são os mesmos que depois as vão gerir, e vice-versa.
Vale a pena ver.

Quem lucra?

Em política, penso que é sempre necessário começar por perguntar: quem lucra com as medida tomadas em concreto?
Se colocarmos esta pergunta sobre quem é o beneficiário dos cortes nos feriados e férias dos trabalhadores integrados no novo código do trabalho, obtemos esta resposta, que li, há dias, num jornal:
Patrões ganham 4 500 milhões de euros com esta medida do governo. Os trabalhadores trabalham mais e mais horas e dias e vêm nicles do seu salário a crescer. Bem pelo contrário, sofrem cortes nos salários e aumento dos preços.
Morais da história:
-Ainda há uns intelectuais do regime que negam a exploração e a luta de classes. São bem pagos para desinformar.
-Ainda há muitos explorados que ainda não perceberam isto. Continuam a ser explorados sem consciência disso.
-O código dito do trabalho deveria passar a ser chamado código da exploração dos trabalhadores.
Notícia:
O "Correio da Manhã" escreve que os patrões ficam a ganhar mais 4,5 mil milhões de euros à conta do novo Código do Trabalho que obriga a trabalhar mais sete dias por ano, entre feriados e dias de férias que são eliminados. O documento foi ontem promulgado pelo Presidente da República.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

O futebol lava mais branco?

Um sujeito, com nome de vegetal, que ontem foi absolvido por "juízes" do mesmo partido que ele, nomeados por quem o nomeou, hoje, apareceu na tribuna de honra a assistir ao jogo de futebol entre Portugal e a republica checa.
Será que o futebol lava mais branco?